Irã anuncia exigências em memorando de entendimento com EUA; veja lista

  • 15/06/2026
(Foto: Reprodução)
EUA e Irã chegam a acordo de paz, dizem Trump e primeiro-ministro do Paquistão O Irã apresentou uma lista com 14 exigências para avançar em um acordo de paz com os Estados Unidos, segundo informações da agência estatal Mehr. Entre as condições estão a interrupção imediata dos conflitos, o compromisso dos EUA de não interferir em assuntos internos, a retirada de forças americanas da região, o fim das sanções ao petróleo do país e a reabertura do Estreito de Ormuz em até 30 dias. Os Estados Unidos e o Irã chegaram a um acordo de paz, conforme informações confirmadas por Donald Trump e o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, na noite de domingo (14). O conflito entre os países dura quase quatro meses. Teerã confirmou a informação, mas impôs condições que abrangem diferentes áreas das relações entre os dois países. Confira a lista: Fim permanente e imediato da guerra em todas as frentes, incluindo o Líbano. Compromisso dos Estados Unidos de não interferir em assuntos internos do Irã e de respeitar a soberania da República Islâmica do Irã. Suspensão completa do bloqueio naval em até 30 dias. Compromisso dos EUA de retirar suas forças dos arredores do Irã. Reabertura do Estreito de Ormuz em até 30 dias, conforme os termos definidos pelo Irã. Suspensão das sanções sobre a venda de petróleo, produtos petroquímicos e derivados, e acesso total do Irã aos seus recursos financeiros. Necessidade de os Estados Unidos e seus aliados apresentarem planos de reconstrução para o Irã no valor de pelo menos US$ 300 bilhões. Realização de 60 dias de negociações para alcançar um acordo final baseado em questões nucleares e na remoção completa das sanções primárias e secundárias dos EUA, bem como das resoluções do Conselho de Segurança da ONU e da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). Reafirmação do compromisso do Irã, nos termos do Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP), de não produzir armas nucleares. Durante o período de negociações, os EUA se comprometem a não ampliar sua presença militar na região nem impor novas sanções. Liberação de US$ 24 bilhões em recursos iranianos bloqueados durante os 60 dias de negociações finais. Metade do valor deverá ser disponibilizada antes do início das negociações. Criação de um mecanismo de supervisão para implementar o acordo. O acordo final será aprovado por meio de uma resolução do Conselho de Segurança da ONU. As negociações finais não começarão antes da liberação de metade dos recursos bloqueados do Irã, da suspensão das sanções ao petróleo iraniano e do fim do bloqueio naval. Além disso, o acordo final tratará apenas do destino do material enriquecido e do enriquecimento nuclear, da suspensão das sanções e do plano de reconstrução econômica do Irã. As discussões sobre o programa de mísseis iraniano e o apoio a grupos da chamada resistência serão retiradas definitivamente da pauta. Nas redes, Trump disse: "O acordo com a República Islâmica do Irã está agora concluído. Parabéns a todos! Por meio desta, autorizo plenamente a abertura do Estreito de Ormuz sem cobrança de pedágios ou taxas e, simultaneamente, autorizo a remoção imediata do bloqueio naval dos Estados Unidos. Navios do mundo, liguem seus motores. Deixem o petróleo fluir!" Reprodução/Redes Sociais Anúncio do acordo Autoridades dos Estados Unidos, do Irã e do Paquistão confirmaram neste domingo (14) a conclusão de um acordo de paz, após meses de conflito e negociações diplomáticas. Em uma publicação na rede social X (antigo Twitter), o primeiro-ministro paquistanês declarou que "ambos os lados declararam o encerramento imediato e permanente das operações militares em todas as frentes, incluindo no Líbano". Ainda segundo o premiê, a cerimônia oficial de assinatura do tratado está marcada para o dia 19 de junho, na Suíça. Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, também publicou a informação em uma postagem na rede Truth Social. "O acordo com a República Islâmica do Irã está agora concluído. Parabéns a todos!", declarou Trump. No texto, ele também determinou a liberação da rota marítima sem a cobrança de pedágios ou taxas e incentivou a retomada do transporte global de combustíveis. O Estreito de Ormuz é uma das vias mais importantes do mundo para o escoamento de petróleo. "Autorizo a remoção imediata do bloqueio naval dos Estados Unidos. Navios do mundo, liguem seus motores. Deixem o petróleo fluir!", afirmou. O serviço de notícias do Irã (Agência IRNA) também confirmou a informação do acordo de paz, replicando mensagens de Donald Trump e de Shebaz Sharif. O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, afirmou à TV estatal iraniana que o cessar-fogo entrará em vigor ainda nesta noite. Segundo ele, as negociações para um acordo final durarão 60 dias e devem incluir o fim das sanções ao Irã, mecanismos para a reconstrução do país e formas de monitorar o cumprimento dos compromissos pelas partes envolvidas. Gharibabadi acrescentou que Teerã responderá em caso de violações do acordo. As informações são da Reuters. Divergências sobre a assinatura O presidente americano já havia dito que a assinatura do acordo de paz estava marcada para este domingo, em uma postagem na rede social Truth Social neste sábado (13). Segundo o americano, o Estreito de Ormuz será aberto imediatamente após a assinatura. Ilustração mostra bandeira dos EUA e do Irã REUTERS/Dado Ruvic/Ilustração Trump disse esperar que o processo seja conduzido de forma rápida, fácil e tranquila: "Esperamos trabalhar em conjunto com Irã e todo o Oriente Médio no futuro", afirmou. Ele também afirmou que, "no momento apropriado e quando tudo estiver calmo", os EUA irão recolher o resíduo nuclear enterrado sob montanhas de granito e destruí-lo. Na manhã de sábado (13), o primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, disse que os EUA e o Irã concordaram com os termos para um acordo de paz que encerraria o conflito de meses no Oriente Médio: "Estamos mais perto de um acordo de paz do que nunca", publicou Sharif na rede social X, postagem compartilhada por Donald Trump. Contudo, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, afirmou que a assinatura de um memorando de paz não ocorreria neste domingo: "Teremos que esperar para ver a data exata da assinatura do memorando de entendimento, embora não deva ser amanhã". Donald Trump diz que acordo com Irã será assinado domingo (14) Reprodução/Redes sociais Baghaei disse que a possibilidade da assinatura do memorando de Islamabad, capital do Paquistão, nos próximos dias não pode ser descartada, mas que "deve ser cauteloso" ao fazer qualquer comentário sobre a data da assinatura. Sharif acrescentou que o Paquistão está agora se preparando para uma assinatura eletrônica esperada dentro das próximas 24 horas, seguida por negociações de nível técnico nas próximas semana. "Gostaríamos de agradecer aos Estados Unidos da América e à República Islâmica do Irã por seu compromisso contínuo durante as negociações e estendemos nosso sincero agradecimento aos nossos irmãos na região por seu apoio. Estamos confiantes de que este acordo de paz histórico formará uma base sólida para uma paz duradoura", publicou Sharif. Um alto funcionário do governo americano disse à Agência Reuters acreditar que há um "acordo sólido com o Irã". ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Trump critica Irã Na manhã de sexta (12), o presidente norte-americano chegou a dizer que os detalhes do acordo divulgados pela imprensa norte-americana são falsos e criticou o Irã por passar informações a veículos de comunicação. Trump também chamou os dirigentes iranianos de "pessoas muito desonrosas para se negociar". "Com eles, não existe negociação de boa-fé. INCRÍVEL! É melhor eles se organizarem, e RÁPIDO!", escreveu Trump em sua rede social Truth Social. Horas depois, no entanto, Trump repostou uma mensagem do ministro das Relações Exteriores do Irã, Abás Araqchi. No texto, Araqchi afirma que um acordo entre seu país e os Estados Unidos "nunca esteve tão perto". "Um homem caminha ao lado de uma maquete simbólica de um míssil iraniano, em uma rua em Teerã. Majid Asgaripour/WANA via Reuters Novos ataques As indicações de um acordo ocorrem após Estados Unidos e Irã voltaram a trocar ataques, mesmo sob cessar-fogo. A nova escalada começou após a queda de um helicóptero militar das forças dos EUA durante um sobrevoo na região do Estreito de Ormuz. Após o episódio, Trump acusou o Irã de ter atacado a aeronave e disse que teria de revidar. Na mesma noite, os EUA bombardearam sistemas de defesa no território iraniano e radares em Ormuz. O Irã revidou com ataques a uma base norte-americana no Bahrein. Na quarta-feira (10), os EUA fizeram um novo ataque, respondido por Teerã com mísseis lançados novamente a países do Golfo Pérsico. O Irã anunciou o fechamento do Estreito de Ormuz e disse que a escalada complicou ainda mais as conversas por um acordo de paz, além de tornar o cessar-fogo atualmente em vigor "sem sentido". Presidente Donald Trump no Salão Oval da Casa Branca em 10 de junho de 2026. Reuters/Evan Vucci Caminho para o acordo A proximidade de um acordo entre os dois países foi anunciada pelo próprio Trump na quinta-feira (11). Após anunciar uma terceira noite de ataques e dizer que pretendia controlar o petróleo e o gás do Irã, Trump cancelou a ofensiva e afirmou que os negociadores chegaram a um consenso sobre "pontos finais" da proposta de paz. O presidente norte-americano disse ainda que um acordo definitivo com Teerã "talvez seja assinado no fim de semana". A assinatura ocorreria na Europa e contaria com a presença de seu vice, JD Vance, segundo Trump. Trump disse que o "memorando de entendimento" já foi aprovado "por todo mundo no Irã", inclusive o líder supremo do país, e que é um ótimo acordo, "pois o Irã jamais terá uma arma nuclear". Minutos após a fala de Trump, no entanto, o Irã afirmou que o país ainda não aprovou nenhum acordo. "Nenhum texto para o memorando de entendimento inicial com os Estados Unidos foi aprovado", afirmou a agência estatal Fars. EUA e Irã retomam ataques no Golfo Pérsico

FONTE: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/06/15/ira-anuncia-exigencias-em-memorando-de-entendimento-com-eua-veja-lista.ghtml


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