Estudo aponta que 84% das grávidas de 12 a 20 anos atendidas em ambulatório da Unicamp não planejaram a gestação

  • 13/09/2026
(Foto: Reprodução)
Imagem de arquivo de jovem grávida. Reprodução/TV Globo Um estudo apontou que 84% das jovens de 12 a 20 anos atendidas no Ambulatório de Pré-Natal para Adolescentes do Hospital da Mulher (Caism), da Unicamp, não planejaram a gravidez. Publicado na revista científica The European Journal of Contraception & Reproductive Health Care, o levantamento mostra que apenas 16% das 101 participantes disseram ter planejado a gestação atual. O levantamento foi realizado com adolescentes e jovens acompanhadas entre junho de 2017 e julho de 2024. Foi aplicado um questionário estruturado de autopreenchimento com 28 perguntas, que analisaram informações como idade, escolaridade, raça, ocupação, área de residência, convivência com o parceiro e histórico sexual reprodutivo. A maioria das participantes se autodeclarou parda, estudante e com 10 a 12 anos de estudo. A idade mediana das participantes era de 17 anos. A primeira relação sexual ocorreu, em média, aos 14 anos, enquanto a primeira gravidez aconteceu aos 16. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Campinas no WhatsApp Agora no g1 Os pesquisadores apontam que a gravidez não planejada entre adolescentes e jovens está associada a um conjunto de fatores sociais, educacionais e reprodutivos. "Nossa conclusão defende que a sociedade precisa garantir educação universal de qualidade. Meninos e meninas devem ter a chance de construir projetos de vida que vão além da maternidade ou paternidade. Com opções reais de futuro, eles ganham autonomia para decidir se querem ter filhos, quando e quantos ter", explicou. Possíveis fatores A pesquisa apontou dois fatores associados a menor probabilidade de uma gravidez ser considerada não planejada: morar com o parceiro e a idade da primeira gravidez. Na prática, os resultados indicam que, entre as jovens entrevistadas, aquelas que viviam com companheiro e engravidaram em idade mais avançada apresentaram menor frequência de gestação não planejada. "Temos que ter certo cuidado. A interpretação poderia ser: 'então, se você mora com um parceiro, não tem gravidez não planejada'. Não. Essa situação está condicionada por um contexto sem oportunidades como educação, como ter um melhor desenvolvimento profissional", afirmou o sociólogo Negli Gallardo-Alvarado, autor principal do estudo. Segundo o pesquisador, a maternidade precoce muitas vezes é marcada por desigualdades sociais, limitações educacionais e menos perspectivas de inserção no mercado de trabalho. "Em camadas sociais com pouca assistência educacional e profissional, a maternidade acaba sendo vista por adolescentes como uma via para obter status e independência. Porém, isso esconde uma grave exclusão social", ponderou. Conhecimento sobre contraceptivos Francisco admitiu o uso de contraceptivos durante epidemia de zika Getty Images via BBC Apenas 33 jovens citaram espontaneamente algum método antes de receberem uma lista de opções. Quando apresentadas aos métodos disponíveis, 97 afirmaram conhecer pílulas anticoncepcionais ou contraceptivos injetáveis. Os métodos de barreira, como a camisinha, foram reconhecidos por 94 participantes, enquanto 79 disseram conhecer o dispositivo intrauterino (DIU). Para Gallardo-Alvarado, o resultado demonstra que informação e proteção efetiva não estão necessariamente unidas. "Ter conhecimento prático de um método anticoncepcional não garante o uso correto. Os métodos modernos anticoncepcionais são muito efetivos quando utilizados corretamente. Mas muitas vezes a gente não conhece bem qual é o jeito correto de utilizar um método", disse. O pesquisador também apontou dificuldades de acesso aos chamados contraceptivos reversíveis de longa duração, considerados mais eficazes para prevenir gestações não planejadas, como o DIU e os implantes hormonais. "Infelizmente, esse tipo de tecnologia reprodutiva anticoncepcional não tem uma disponibilidade universal no Brasil. Muitas mulheres, incluídas adolescentes, infelizmente não têm acesso a esse tipo de anticoncepcional pelo sistema público", avaliou o pesquisador. Impactos A pesquisa destacou que a gravidez na adolescência pode ter reflexos que ultrapassam o período da gestação. Segundo Gallardo-Alvarado, mulheres que tiveram filhos muito cedo apresentam, na vida adulta, menos anos de estudo e rendimentos inferiores aos de mulheres que não engravidaram durante a adolescência. "Em termos socioeconômicos, uma gravidez na adolescência tem um efeito devastador ou forte na vida das mulheres principalmente", afirmou. Ainda segundo o estudo, a frequência de gravidez não planejada revela obstáculos para exercer direitos sexuais e reprodutivos. "Os direitos reprodutivos falam que você tem o direito de escolher se quer ter um filho ou não, o momento em que você quer ter um filho e a quantidade de filhos. Então, esse é um problema para a saúde pública geral e para o exercício dos direitos humanos", disse o pesquisador. Na pesquisa, os autores defendem a ampliação do acesso a métodos contraceptivos, fortalecimeto de políticas de educação sexual, além de oportunidades de permanência na escola e inserção profissional como medidas fundamentais para reduzir a gravidez não planejada entre adolescentes e jovens. *Estagiária sob supervisão de Bárbara Camilotti. VÍDEOS: tudo sobre Campinas e região Veja mais notícias sobre a região no g1 Campinas

FONTE: https://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/noticia/2026/09/13/estudo-aponta-que-84percent-das-gravidas-de-12-a-20-anos-atendidas-em-ambulatorio-da-unicamp-nao-planejaram-a-gestacao.ghtml


#Compartilhe

Aplicativos


Locutor no Ar

Peça Sua Música

No momento todos os nossos apresentadores estão offline, tente novamente mais tarde, obrigado!

Top 5

top1
1. Nosso País

Edson Dantas

top2
2. Advogado Fiel

Bruna Karla

top3
3. Casa do pai

Aline Barros

top4
4. Acalma o meu coração

Anderson Freire

top5
5. Ressuscita-me

Aline Barros

Anunciantes